segunda-feira, fevereiro 08, 2021

Suporte em papel

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quinta-feira, junho 25, 2020

Curtas - Pequeno raio de esperança


Um poema em português - "Meditação do Duque de Gândia"

Um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen por Rita Loureiro


Meditação do Duque de Gândia

Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
Nunca mais te darei o tempo puro
Que em dias demorados eu teci
Pois o tempo já não regressa a ti
E assim eu não regresso e não procuro
O deus que sem esperança te pedi.


Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, junho 18, 2020

Um poema em português - "Uma pequenina luz"

"Uma pequenina luz"

Um poema de Jorge de Sena por Catarina Guerreiro




“Uma Pequenina Luz”


Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla… em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indeflectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha


Jorge de Sena

Curtas - Dia Mundial da Gentileza


Contalá - Uma história por Elsa Serra 9


quarta-feira, junho 17, 2020

Um poema em português - "Quando vier a primavera"

"Quando vier a Primavera"

Um poema de Alberto Caeiro por Pedro Lamares




Quando Vier a Primavera

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro

sexta-feira, junho 12, 2020

"Lágrima de preta"

de António Gedeão


Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

quinta-feira, maio 21, 2020

Curta metragem - "Destiny"

Destiny

https://www.youtube.com/watch?time_continue=18&v=wEKLEeY_WeQ&feature=emb_logo

     O curta Destiny apresenta uma reflexão sobre o modo de vida no mundo moderno, em que deixamos de apreciar "as coisas" da vida. A importância da pausa, surge como um ponto muito importante." Realização de Fabien Weibel.

Eram tantas vezes - Rui Beato 1


Uma história por Rui Beato


https://www.youtube.com/watch?v=x50UMTaX4E0

quarta-feira, maio 13, 2020

Jogos Lexicais

http://cvc.instituto-camoes.pt/jogos-lexicais/jogos-lexicais.html#.XrwmEtt7ldg
Aprende e diverte-te.

Quizzes Plano Nacional de Leitura

https://www.sapo.pt/passatempo/queres-testar-o-teu-portugues-as-palavras-desafiam-te-diverte-te-com-os-quizzes-do-plano-nacional-de-leitura#_swa_cname=sapo_share&_swa_cmedium=web&_swa_csource=twitter&utm_source=twitter&utm_medium=web&utm_campaign=sapo_share

Visita à Assembleia da República

https://app.parlamento.pt/visita360/pt/
Palácio de S. Bento - Assembleia da República

     O Palácio de São Bento é um palácio de estilo neoclássico situado em Lisboa, sendo a sede do Parlamento de Portugal desde 1834. Foi construído em finais do século XVI (1598) como mosteiro beneditino (Mosteiro de S. Bento da Saúde) por traça de Baltazar Álvares, apresentando feição maneirista e barroca. Com a extinção das ordens religiosas em Portugal passou a ser propriedade do Estado.
     Depois da implantação do regime liberal em 1834, após a Guerra civil portuguesa, tornou-se sede das Cortes Gerais da Nação, passando a ser conhecido por Palácio das Cortes. Acompanhando as mudanças da denominação oficial do Parlamento, o Palácio foi, também, tendo várias denominações oficiais: Palácio das Cortes (1834-1911), Palácio do Congresso (1911-1933) e Palácio da Assembleia Nacional (1933-1974). Em meados do século XX passou a utilizar-se, geralmente, a designação de Palácio de S. Bento em memória do antigo Convento. Essa denominação manteve-se, depois de 1976, quando passou a ser a sede da Assembleia da República.
     Para fazer uma visita clica na imagem.

Histórias das Pequenas Coisas - Episódio 7

https://observatorio.almedina.net/index.php/2020/05/06/historia-das-pequenas-coisas-episodio-7/
Episódio 7 - O primeiro Hino Nacional